quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Veja como é a alimentação dos atletas de ponta que vão a Londres


Dieta pode ter um impacto importante em algumas modalidades esportivas; efeito já era conhecido na Olimpíada antiga

Atletas bbc (Foto: BBC/Reuters)Dietas dos atletas variam muito (Foto: BBC/Reuters)
Uns têm que comer muito, outros muito pouco. Uns têm que escolher muito bem o que põem no prato, outros poucos podem ignorar qualquer restrição. Para todos os esportistas olímpicos, a dieta é um assunto crucial e específico.
Isso porque cada corpo atlético, alto ou baixo, robusto ou frágil, é uma "máquina" que requer combustível específico para obter o mais alto rendimento.
O impacto da dieta sobre o desempenho esportivo já era conhecido pelos atletas olímpicos originais, no século 6 a.C.
Segundo pesquisas históricas, as façanhas de alguns profissionais que consumiam dietas ricas em proteínas deu início a uma febre do consumo de carne entre os competidores que lutavam pela glória em Olímpia.
"Não há uma fórmula para todos os esportes", disse à BBC Álvaro García-Romero Pérez, professor da faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Europeia de Madri e especialista em nutrição desportiva.
"Não deve ser nada muito pesado, nem para esportistas nem para não esportistas. A alimentação deve ser parte de uma filosofía de vida e pode ser conseguida por meio da educação alimentar", observa Marcia Onzari, chefe da cátedra de Nutrição da Universidade de Buenos Aires.
A realidade é que, para alguns, "treinar" o estômago pode ser quase tão duro como converter-se no indivíduo mais rápido, forte ou no que salta mais alto.
Phelps (Foto: BBC/Getty Images)
Nadador americano Michael Phelps desmentiu que
ingira 12 mil kcal por dia (Foto: BBC/Getty Images)




Os que comem muito
Já se tornou uma lenda a história segundo a qual o nadador americano Michael Phelps, ganhador de 16 medalhas olímpicas, manteria uma dieta pantagruélica de 12 mil calorias por dia (quase cinco vezes a média recomendada para um homem adulto).
O mesmo Phelps já desmentiu isso, que o professor García-Romero acredita ser um exagero.
Mas alguns esportes, que Onzari agrupa na categoria de "longa duração ou resistência" requerem de verdade o consumo de quantidades de alimentos consideravelmente superiores ao de um ser humano médio.
"Isso inclui a maratona, o triatlo, o remo, a natação em águas abertas, o ciclismo. Eles se caracterizam por uma demanda de energia muito elevada. Os esportistas têm que consumir uma quantidade suficiente de carboidratos para ter muita energia quando estão treinando ou competindo, junto com a hidratação", observa Onzari.
Os alimentos que são fonte de carboidratos incluem os cereais como a aveia, a cevada, o trigo e o milho, as farinhas, os legumes e algumas frutas.
García-Romero afirma que a chave está na "alimentação sustentada durante longos períodos que supõe o treinamento", mas as experiências variam de um atleta para o outro.
Em um artigo recente na imprensa local, a nadadora de águas abertas Keri-Ann Payne atribuía a uma estratégia equivocada de alimentação o fato de ter perdido o campeonato mundial de 2007.
"Na minha modalidade, o que faz a diferença é o que se come dois dias antes da competição. Você tem que se encher de carboidratos, coisa que eu não fiz. Comer uma montanha de arroz ou de macarrão não é tão divertido como parece", disse.
Os que comem pouco
No outro extremo estão os "esportes de categoria de peso", como o boxe e as artes marciais, e os "esportes estéticos", como a ginástica ou o nado sincronizado.
O controle do peso é fundamental em cada uma dessas modalidades, e pode colocar o atleta sob uma forte pressão diante da comida.
A lutadora turca de taekwondo Nur Takar, por exemplo, segue uma dieta de 1.500 calorias por dia, 500 abaixo da média recomendada às mulheres.
A ginasta sul-coreana Son Yeon-Jae causou polêmica recentemente ao dizer publicamente que seguia um regime alimentar rígido e que comia "como um passarinho": só café da manhã e almoço, em quantidades limitadas.
"A vida é dura neste momento", disse em uma entrevista em maio.
Para García-Romero, eticamente não é correto submeter qualquer atleta a esse tipo de dieta.
"Não se deve fazer isso. Acima do atleta, está a pessoa. No mundo dos esportes, muitas vezes, nos fixamos somente na época de competições, mas temos também que pensar no que acontecerá com essas pessoas depois", afirma.
Os que comem alimentos específicos
Em outro grupo estão os atletas que precisam de força, como os levantadores de peso e os praticantes do arremesso de martelo.
"Essas pessoas precisam de um aumento na quantidade de energia em sua alimentação para conseguir um aumento de massa muscular e, para isso, são necessários proteínas, creatina e suplementos para aumento de peso", disse Onzari.
De acordo com García-Romero, isso também não seria recomendável do ponto de vista da saúde.
"Se uma pessoa recebe proteínas por muito tempo, é possível que tenha problemas hepáticos e renais", afirmou.
Outra história é a dos atletas que evitam ou se concentram em certos alimentos, que consideram importantes para seu sucesso ou simplesmente por gostarem mais.
Chinesa atleta (Foto: BBC/AP)
Maratonista chinesa Wang Junxia mantém dieta
com vermes e sopa de tartaruga (Foto: BBC/AP)
Um caso famoso é o da maratonista chinesa Wang Junxia, cuja dieta inclui vermes e sopa de tartaruga. Já o jogador de basquete canadense Steve Nash é um grande fanático por nozes e grãos. O maratonista americano Michael Arnstein, por sua vez, não é somente vegetariano, mas se baseia estritamente em frutas.
"Há muitos benefícios, tanto para a pessoa que a segue como para o planeta em que vivemos", escreveu o atleta em seu blog.
Os que comem o que querem
Enquanto alguns atletas seguem dietas severas, outros dizem que comem o que querem.
O corredor americano Tyson Gay faz parte do primeiro grupo. Segundo declarações recentes, a nutricionista do atleta determina que ele consuma 230 gramas de proteínas, 308 gramas de carboidratos e 70 gramas de gorduras diariamente.
No outro extremo, o nadador do mesmo país Ryan Lochte não parece acreditar em nutricionistas.
"A nutrição é a última coisa com que me preocupo. Como o que conheço bem. Estou comendo McDonald's a cada refeição desde que cheguei aqui. E acredito que está me ajudando", disse o nadador durante os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.
Ennis (Foto: BBC/Reuters)
Atleta do heptatlo Jessica Ennis revela que come
verduras e também chocolate (Foto: BBC/Reuters)
Um pouco menos radical é a britânica Jessica Ennis, que compete no heptatlo.
"Todo mundo me fala que está se submetendo a uma dieta restrita, mas esse não é o meu caso. Como saladas e verduras, mas também chocolates. Alguns atletas comem normal", disse recentemente.
Não há apenas uma receita para a vitória olímpica. Segundo especialistas, o senso comum teria que ser usado para manter a saúde no longo prazo.
O professor Álvaro García-Romero afirma que os extremos são compreensíveis.
"Entendo que um atleta que treina de uma certa forma vai ter uma repercussão econômica e, na melhor das hipóteses, vai trabalhar um número limitado de anos e, depois, viver de renda", afirmou.
Fonte: Bem Estar

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

"Magros de ruins"se incomodam com peso e se esforçam para engordar

Apelidos e dificuldades sociais levam jovens a almejar quilos extras.

Nutricionista dá dicas para quem quer ver a balança disparar com saúde.

A carioca Ana Carolina Vieira, de 25 anos, tem sido chamada desde criança por vários nomes que não o seu: "Magrela", "Olívia", "Esqueleto" e até "Hashi" – os palitinhos japoneses. Com um biotipo próprio de pessoas consideradas "magras de ruins", que geralmente têm um metabolismo mais acelerado e não engordam de jeito nenhum, a estudante universitária é um dos brasileiros que, embora sejam vistos como "sortudos", não se sentem felizes assim.
"Os apelidos já me incomodaram muito, hoje não mais. Levo na brincadeira, porque não vale a pena. Mas quero engordar, porque até profissionalmente é um pouco complicado, pois tenho jeito de menina e as pessoas não sabem separar quem eu sou do meu tipo físico", diz Ana Carolina.
Ana Carolina (Foto: Arquivo pessoal)Ana Carolina não se policia ao pedir fast-food e, mesmo assim, não passa dos 40 kg (Foto: Arquivo pessoal)











A jovem conta que para encontrar roupa também é difícil, e o jeito é mandar fazer em alguma costureira. Segundo ela, o padrão de modelagem do Brasil está muito grande, razão pela qual o P já não é mais P, e o PP nem todas as marcas fabricam.
Ana Carolina pesa 40 kg em 1,56 metro de altura, o que a deixa com um índice de massa corporal (IMC) de 16,4. Segundo o parâmetro usado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com menos de 18,5, a pessoa é considerada abaixo do peso ou desnutrida.
Ana Carolina (Foto: Arquivo pessoal)
Apesar de sorridente, a carioca diz que não está
feliz com seu baixo peso (Foto: Arquivo pessoal)
Para se sentir mais confortável consigo mesma, a carioca pretende ganhar de 10 kg a 12 kg. Ela revela que não mede a quantidade ao comer massas, feijão, hambúrguer, cachorro-quente, angu, sonho e outros alimentos gordurosos.
"As pessoas falam para eu não fazer isso, que é loucura, que posso me arrepender depois. Mas, se estou há esse tempão magra, acho que não tem problema. Quero vestir melhor, ter mais coxa, perna, para não ficar sobrando pano", destaca.
Mas quem pensa que a jovem só se empanturra de comida, sem cuidar da saúde, engana-se. Há quatro anos, Ana Carolina consultou uma nutricionista e começou a ter horários certos para as refeições. Também anda muito a pé e pedala cerca de 50 minutos por dia.
"Além disso, já fiz check-up, exame de tireoide e anemia para ver se tinha alguma coisa, mas não deu nada", conta a carioca, cujos pais e irmãs são gordinhos – apenas um irmão está dentro do peso.
Lucas (Foto: Arquivo pessoal)Em 3 anos, Lucas ganhou 15 kg de massa muscular ao treinar pesado na academia (Foto: Arquivo pessoal)
Massa magra
O paulistano Lucas André Barbosa, de 31 anos, também se achava magro demais e, de 2009 para cá, conseguiu aumentar o peso de 55 kg para 70 kg, em 1,65 metro de altura. No caso dele, o ganho foi de massa muscular, com muito exercício na academia e mudanças na alimentação.
Lucas (Foto: Arquivo pessoal)
Jovem vive no Japão e mantém malhação e dieta
para deixar de ser magro (Foto: Arquivo pessoal)
O jovem vive com a mulher, Marcia, na cidade japonesa de Toyohashi-shi, no centro do país, onde ele trabalha em uma fábrica de paredes de gesso.
Lucas quer chegar aos 90 kg e, para isso, mudou o treino de três para cinco vezes por semana e faz suplementação sintética, com proteínas, aminoácidos, creatina e vitamina C, além de ingerir alimentos naturais como mel, ovo, frango, legumes e arroz integral.
Conselhos de especialista
A nutricionista esportiva Emy Takahashi diz que ninguém deve tomar suplementação por conta própria, pois é preciso ter um acompanhamento profissional. Além disso, o aumento da ingestão calórica deve ser feito com cuidado, para não elevar o percentual de gordura do indivíduo – o que pode causar problemas como sobrepeso, diabetes e doenças cardiovasculares.
"Para quem quer ganhar peso com saúde, o ideal é fracionar as refeições em pelo menos sete vezes por dia, e começar pelos pratos quentes, não pela salada. Também se devem investigar os hábitos da pessoa – se há algum transtorno alimentar –, o gasto energético, o sono, a questão genética, e ver se o paciente já malhava antes ou não. Quem nunca treinou e quer ficar forte precisa esperar um pouco mais", explica.
Emy ressalta que muitos "magros de ruins" acreditam que comem muito, mas na verdade esse parâmetro não condiz com a realidade – ou seja, para a maioria da população, aquela quantidade de comida seria insuficiente.
Se o paciente não tem nenhum problema hormonal, consegue engordar em um prazo de seis meses a um ano"
O baixo peso, de acordo com ela, pode trazer alguns problemas clínicos, como perda de cabelo, queda do rendimento e baixa imunidade. Mas os magros que fazem bastante atividade física aeróbica não devem diminuir essa intensidade, já que se mexer é saudável.
Outra recomendação é não se encher de energia "vazia", como guloseimas, chocolates, frituras e refrigerante, pois não nutrem o corpo e ainda podem tirar o apetite. A especialista indica três porções de carboidratos no almoço e mais três no jantar, além de outros bons alimentos calóricos, como mix de castanhas (castanha-do-pará, castanha de caju, nozes, amêndoas, avelã e macadâmia), azeite de oliva e shakes (uma vez por dia).
A nutricionista também frisa que não se deve olhar apenas o IMC, mas a composição corporal do indivíduo. Para mulheres entre 18 e 25 anos que praticam exercícios, como é o caso de Ana Carolina, a média de gordura corporal pode variar de 23% a 25%. Para homens dos 26 aos 35 anos, na faixa de Lucas, a média ideal fica entre 18% e 20%.
"Se o paciente não tem nenhum problema hormonal, consegue engordar em um prazo de seis meses a um ano", garante Emy.
Três dietas (Foto: Arte/G1)