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quarta-feira, 28 de março de 2012

Alimentação Infantil: Meu filho não quer comer; e agora?

Esqueça distrações e aprenda como não sair do sério com as birras

A cena é conhecida por nove entre dez mães: depois de horas no fogão, preparando a refeição perfeita para o filhote, ele simplesmente se nega a experimentar. 

Você faz aviãozinho, monta uma carinha engraçada no prato, usa toda a sua lábia, inventa histórias, promete mundos e fundos se ele provar... mas aquele bebê tão fofinho se revela um monstrinho teimoso, que não tira a mão da frente da boca. 

Se forçar, pior ainda: ele cospe tudo, faz que vai vomitar e ainda abre o berreiro. Resultado: você troca o jantar por um iogurte, fica frustrada e o pequeno ainda se alimenta mal.

E agora?

 Para começo de conversa, saiba que negar comida é um comportamento perfeitamente normal entre as crianças. A nutricionista Teresa Bello explica que a falta de apetite pode ocorrer por diferentes motivos, até mesmo chamar sua atenção, porque o pequeno logo percebe a importância que os pais dão à refeição.

 O que não é normal é isso virar hábito, colocando em risco a saúde do seu filho e transformando cada refeição num tormento. Se é o seu caso, vá ao pediatra, porque só um longo tratamento de reeducação pode transformar esse comportamento.

Se a negação acontece só de vez em quando, ou se você tem a sorte de não ter passado por isso ainda, tanto melhor, porque está em tempo de prevenir.

Ensinadas desde bem pequenas, as crianças podem aprender a gostar de qualquer tipo de alimento. 

Como mudar um hábito é sempre muito difícil, é essencial passar aos pequenos costumes saudáveis desde cedo. Para ajudá-la, reunimos com a ajuda da nutricionista Teresa dicas simples e eficazes para ensinar o pimpolho a comer bem e com prazer.



Até os seis meses, seu filho não precisa de nada além do leite materno

Nesse período de vida, oferecer só leite materno é mais do que suficiente, pois ele supre todas as necessidades do bebê e ainda protege contra doenças, evita diarréia, fortalece a musculatura do rosto e previne problemas de fala. Assim, a oferta de chás e água é desnecessária e ainda pode prejudicar a sucção do bebê.



Seja um bom exemplo

Quando nasce, a criança tem nas papilas gustativas, localizadas na língua, a determinação genética das preferências e aversões alimentares que terá ao longo da vida. Entretanto, a influência do ambiente em que ela vive, o exemplo dos pais e as experiências positivas ou negativas podem ser mais fortes que a genética. 

Ou seja, talvez sua filha naturalmente não se sinta atraída por carne vermelha, mas com o hábito em casa, pode aprender a gostar.

Maus exemplos e preconceitos também são ensinados desse jeito. 

Talvez ela seja uma fã de frutas por natureza, mas se você não tem o costume de comê-las e ainda faz cara feia quando lhe oferecem uma maçã, é provável que sua filha também adquira resistência a esses alimentos. Depois não adianta exigir que a criança goste de pratos que os próprios pais não comem. 



Não insista demais


Mãe sempre acha que o filho está comendo pouco e acaba forçando o pequeno a comer mais do que ele precisa ou agüenta. A oferta de um volume de alimentos maior do que a capacidade gástrica da criança diminui o prazer de comer do bebê e aumenta a ansiedade dos pais, alerta a nutricionista Teresa.

Não tente bancar a chef de cozinha testando várias misturas


Prefira os alimentos básicos e introduza-os um a um na alimentação do bebê, gradativamente. É no primeiro ano de vida que a criança conhece novos sabores e aprende sobre as texturas dos alimentos, e cabe a você apresentá-los ao pequeno e identificar uma possível intolerância ou alergia. Ofereça uma fruta, um legume ou uma verdura de cada vez, na forma de papa ou purê, amassado com o garfo, nunca liquidificado.



Aposente de vez o aviãozinho

Inventar técnicas para fazer o filho abocanhar a comida, como distrair com um brinquedo ou com a televisão ligada e camuflar o alimento não educam para o prazer de se comer bem. Podem até funcionar na hora, mas perdem rápido seu efeito e você vai ter que exercitar muito a criatividade para criar tantas novas artimanhas. A hora de comer é hora só de comer, prestando atenção aos sabores, texturas, aromas, cores... 



Substitua o alimento recusado por outro do mesmo grupo nutricional

Você insiste no brócolis mas o bebê cospe tudo, abre o berreiro e provoca ânsia de vômito? Tente espinafre. Rejeita o feijão? Ofereça a lentilha. Insistir exageradamente em um alimento específico pode diminuir o prazer com o ato de comer, reforçando a falta de apetite , explica Teresa. 



Também vale mudar o jeito de preparar. Ela não quis espinafre refogado? Ponha as folhas no suflê, na omelete, no sanduíche... Lançar mão de ervas e condimentos como pimenta, páprica e curry também pode ajudar muito. A idéia não é encobrir o gosto, mas deixá-lo mais interessante. 



A criança deve comer primeiro com os olhos

Nada de gororobas misturadas. Ofereça as comidinhas em porções pequenas e coloridas, dispostas no prato em porções separadas e divertidas. De preferência, que ele possa comer sozinho, com as mãos até. 

Deixe que ele descubra as cores, formas, texturas e faça combinações como quiser. Transformar o chato prato-feito em uma refeição lúdica aumenta as chances do pequeno experimentar novidades e aprender sobre o sabor de cada alimento. 

Assim como o humor, o apetite pode variar de um dia para outro
Instabilidade alimentar é normal. Comeu pouco hoje? Compense os nutrientes no dia seguinte.

Mas é bom deixar claro: compensar em qualidade, não em quantidade!



Não tenha medo de impor limites

Já foi comprovado que a criança nasce com preferência para o sabor doce e resistência ao amargo.

Por isso, é normal preferir chocolate a espinafre. O problema está em deixar de ingerir o alimento saudável e abusar da guloseima. 

Até um ano de idade, seu bebê possui um estômago mais sensível, que pode ser irritado pelas substâncias presentes nas porcarias, como enlatados e refrigerantes. Isso compromete a digestão e a absorção nos nutrientes.

Resista às birras e estabeleça limites, seguindo horários fixos para fazer as refeições e insistindo em uma alimentação nutritiva. 



Use a regra do três

Se seu filho está na fase de contrariar, é bem capaz que diga não só por esporte. Drible as negações propondo um trato. Ele terá que provar cada alimento três vezes para ter certeza de que não gosta. São três garfadas: a primeira para descobrir que gosto tem, a segunda para saber se é bom ou ruim, e a terceira para ter certeza. 

Você vai se surpreender ao ver como a terceira garfada faz crianças mudarem de opinião! Se ele realmente não gostar, cumpra a sua parte no trato e deixe a comida de lado ao menos por essa refeição. 



Alimento não é recompensa e muito menos castigo

Nada de se comer a salada pode comer a sobremesa ou vai ficar sem ver TV se não raspar o prato. Também não invente de fazer o jogo dele, em chantagens do tipo se comer tudo, a mamãe vai ficar feliz e você vai ganhar uma surpresa . A comida não deve ser vinculada a sentimentos nem prêmios. 

Dentro do nível de entendimento da criança, ensine por que é realmente importante comer determinados alimentos: a cenoura é boa para a pele e os olhos, o macarrão e o arroz dão energia e o feijão deixa forte... 



Não ceda à chantagem da greve de fome

Ele não quer comer o jantar balanceado e insiste em tomar sorvete. Para não deixar o pequeno de barriga vazia, você topa a chantagem e deixa ele se lambuzar à vontade, depois de prometer que vai comer direitinho na próxima refeição. 

Sabe o que vai acontecer?
 No dia seguinte, seu espertíssimo filhote vai recorrer à mesma tática, se negando a comer o que é certo, em troca dos seus alimentos preferidos. Não caia nessa. Se ele não quer comer o jantar nem nenhuma das alternativas saudáveis que você ofereceu, deixe ele ir para a cama de barriga vazia. Fome só de sorvete (ou chocolate, ou bolacha, ou pão...) não existe.



Não deixe os lanchinhos melarem a disciplina

Na hora do almoço ele não quis comer nada, mas uma hora depois estava pedindo pelo lanche e se entupiu de biscoitos. Não deixe! Seja firme: se a criança disse que estava sem fome no almoço, vai ter que esperar até a hora certa do lanche e quando ela chegar, vai ter que se contentar com a quantidade correta, mesmo que a fome seja maior. 

Continuou com vontade? Ensine a ela a guardar a barriga para o jantar. Depois de alguns dias, seu filhote vai perceber que não tem jogo e é melhor comer o almoço inteiro para não ficar com vontade depois. 



O lanche da escola deve ser uma continuação da refeição em casa

A formação de um hábito alimentar saudável continua fora de casa. Para as crianças que fazem as refeições na escola, cabe aos pais conferir se o cardápio é variado, se é elaborado por um profissional e a forma como são apresentados os alimentos. Se o lanche é levado pronto de casa, é importante acompanhar o padrão da alimentação oferecida pela família.



Informe os avós sobre a alimentação adotada para o bebê
: Antes de dizer que avô e avó estragam a criança, converse com eles sobre como seu filho está se alimentando. Se um diz que pode e o outro diz que não, o pequeno fica confuso e não sabe a quem deve obedecer. É importante estabelecer regras para que a criança não adquira hábitos negativos em relação à alimentação , diz Teresa. 



Meu filho só quer comer macarrão instantâneo! 

Roberta Faria é mãe de Gabriela, 7 anos, e penou com os jejuns e as chantagens da pequena que, hoje, come de tudo apesar de ainda adorar uma bobagem 


A Gabi comia de tudo, mas quando estava com um ano, de uma hora para outra resolveu que só queria macarrão tipo Miojo, que tinha provado na casa dos avós. Não tinha jeito: qualquer outra comida que a gente insistisse, em casa ou na escola, ela negava. Fazia escândalos, vomitava, se arranhava e era capaz de passar dias sem comer nada além de leite. 

Aos poucos consegui introduzir outros alimentos, mas nem de longe ela tinha uma alimentação bacana. Para chegar lá, tive que adotar uma linha duríssima. Não foi nem um pouco fácil: durante um ano ela pulou refeições, fez jejuns, muitos berreiros, infernizou a vida das professoras e transformou cada refeição em casa numa tortura para nós duas. 

Mesmo cansada, não cedi nenhuma vez: nada de Miojo, nada de porcarias, nada de comer só o que ela queria, nada de ficar sem almoçar e se encher de bolacha no lanche. Adotei o truque das três garfadas, inventei receitas, levei-a para a cozinha comigo e deixei claro que ela pode até não gostar, mas tem que provar e algumas coisas tem que comer mesmo sem achar a maior maravilha. 

Hoje a Gabi ainda não toma a iniciativa de provar uma fruta nova, mas já come tudo que eu coloco no prato, e diz na escola que sou a melhor cozinheira do mundo. É um longo e árduo caminho para mudar. Aprendi a lição: o melhor jeito para a criança não comer bobagens é simplesmente não oferecer.

Fonte: Minha Vida

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Mais de 5 milhões de litros de agrotóxico foram despejados em 2010


O Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. Os efeitos do uso exagerado nas lavouras chegam rapidamente às cidades

O Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. Os efeitos do uso exagerado nas lavouras chegam rapidamente às cidades.

É soja a perder de vista. Lucas do Rio Verde é um dos cinco maiores produtores agrícolas de Mato Grosso e um grande consumidor de agrotóxicos: em 2010, mais de cinco milhões de litros foram despejados nas lavouras.

Em Lucas do Rio Verde, a distância entre a zona rural e a zona urbana é muito pequena. O que uma pesquisa mostrou é que os agrotóxicos usados na lavoura já não ficam mais só no campo. Já chegaram à cidade.

O sinal de alerta foi dado pelo pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso, Wanderlei Pignati.

Ele contou com a ajuda de estudantes de escolas públicas. Durante três anos, entre 2007 e 2010, eles coletaram amostras de água. Dos 12 poços de água potável analisados, 83% estavam contaminados com resíduos de vários tipos de agrotóxicos.

Na avaliação da Secretaria Municipal de Saúde, não há risco para a população. “Os resíduos encontrados estão dentro do permitido pela legislação. Estão próprios para consumo humano”, disse Pascoal de Oliveira Júnior, secretário de Saúde.

Mas a pesquisa foi além: constatou que não era só a água potável que estava contaminada. Mais da metade das amostras de água da chuva, também.

O que mais impressionou foi o resultado da análise do leite materno de 62 mulheres que estavam amamentando. Todas as amostras tinham presença de pelo menos um tipo de agrotóxico. Leydiane foi uma dessas mulheres. “A gente nunca imaginava que poderia pegar no leite uma coisa que vem do ar, e ir para no sangue. A gente fica surpreso”, contou a dona de casa Leydiane de Amorim dos Santos.

Para o pesquisador da UFMT, Wanderlei Pignati, a contaminação das mulheres pode ter provocado problemas nas gestações. “A gente verificou que um percentual bastante elevado já tinha tido algum aborto”.

O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos. No ano passado, ultrapassamos a marca de um milhão de toneladas, segundo dados da Anvisa.

A indústria de defensivos agrícolas tem uma explicação: “Um país tropical tem a possibilidade de produzir duas safras dentro de um ano calendário, coisa que os países que têm inverno rigoroso não têm. Mas se eu faço duas safras ou até três safras irrigadas, eu não consigo eliminar a existência de pragas e ervas daninhas, e aí o nosso consumo é maior”, afirmou Eduardo Daher, diretor executivo da Andef.

Não é só a quantidade. O perigo também pode estar nos tipo de agrotóxicos usados no Brasil. Muitos deles já foram banidos em outros países. São 14 os ingredientes ativos, substâncias usadas nas fórmulas dos agrotóxicos que estão na mira da Anvisa.

Mas de 2008 até agora, a agência conseguiu proibir apenas dois e determinou a retirada progressiva do mercado de outros dois. E enfrenta 11 ações na Justiça movidas pelos fabricantes de agrotóxicos.

Essa nova geração quer que a vida no campo seja diferente. “A conscientização é da população e dos agricultores a fim de que eles venham a utilizar esses defensivos de forma racional e na dosagem certa em vez de pensar que precisa produzir mais e não importa o resto”, afirmou Bruno Felipe Camara, de 17 anos.

Fonte: Jornal Nacional - 07.12.2011